domingo, 28 de novembro de 2010

#8 In The Dark


    Às vezes as pessoas dizem coisas.
    Essas coisas magoam outras pessoas.
    Essas outras pessoas choram.
    E as primeiras pessoas se arrependem das coisas que disseram.
    E pedem perdão.
    Mas as outras pessoas estão feridas.
    Magoadas e sangrando, não conseguem perdoar naquele momento.
    Suas almas estão escuras, nas trevas, sozinhas, gritando o silêncio.
    As sombras da crueldade, insanas e maldosas, sussurram a morte para essas almas vulneráveis.
    As almas pedem ajuda, suplicam pela luz.
    Gritam o silêncio novamente.
    Mas ninguém as ouve.
    Porque ninguém ouve o silêncio.
    Ou o ouvem, e o ignoram por não entenderem o que ele sussurra.
    As almas choram lágrimas vermelhas.
    Sangue.
    A dor as consome.
    Não a dor física, que contorce corpos e enlouquece mentes.
    A dor psicológica.
    A dor mais cruel.
    Silenciosa e inquietante.
    Insana e obscura.
    As almas se unem. Como um gesto de desespero por segurança.
    As sombras as consomem.
    As primeiras pessoas choram. Gritam o perdão das almas.
    Mas as almas não conseguem perdoar.
    As almas estão sob as trevas.
    E as trevas sufocam.
    As primeiras pessoas dormem ante as lágrimas que cintilam ao luar.
    As almas morrem abraçadas.
    O perdão se perde no limiar do abismo entre o real e a ilusão.
    Os olhos se abrem.
    Ainda estou vivo.
    Respirando ofegante.
    Meus olhos lacrimejam.
    Eu choro pelas almas que morreram.
    Foi só um sonho.
  
    L. G. Melo

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